ABERTURA OFICIAL DO FABI REÚNE LIDERANÇAS, CELEBRA ANCESTRALIDADE E FORTALECE O ARTESANATO INDÍGENA


Neste sábado, 7 de fevereiro, a Aldeia Indígena Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália (BA), foi palco da abertura oficial do I Festival do Artesanato Baiano Indígena e da Economia Solidária (FABI). Embora as atividades já tivessem sido iniciadas na sexta-feira (06/02), o dia foi marcado pela solenidade que celebrou ancestralidade, resistência e futuro dos povos originários da Bahia.


A cerimônia, realizada a partir das 9h, reuniu autoridades públicas, lideranças indígenas e representantes institucionais, reforçando o caráter simbólico e político do evento. O ato não apenas oficializou o festival, mas também promoveu ações concretas de valorização e empoderamento dos artesãos e artesãs indígenas.


Um dos momentos mais emblemáticos foi a entrega de 126 Carteiras Nacionais de Artesão, instrumento fundamental para a formalização profissional e o acesso a políticas públicas. Também foram concedidos certificados de capacitação em precificação, vitrinismo e comercialização a 16 artesãos e artesãs, em continuidade às ações do Programa de Qualificação do Artesanato da Bahia.


Durante o festival, visitantes e participantes têm a oportunidade de conhecer a riqueza cultural dos povos originários por meio da exposição no Museu Indígena, aberto das 10h às 20h. O espaço apresenta peças autorais e tradicionais, incluindo uma expressiva coleção de cocares, símbolos vivos de identidade, memória e tradição.


O secretário da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos, destacou a relevância estratégica do festival. “Um evento como esse joga luz, projeta e dá perspectiva para que possamos consolidar políticas públicas estruturantes. Inserir o artesanato indígena em novos espaços é também um ato de resistência cultural.”


A presidente da Associação de Mulheres Pataxó e Tupinambá do Extremo Sul, Samehy Pataxó, ressaltou o impacto da formalização para as comunidades. “A Carteira Nacional de Artesão é mais que um documento, é reconhecimento, oportunidade e fortalecimento do nosso território e do comércio indígena.”


O festival segue até o domingo, 8 de fevereiro, com programação que inclui oficinas, rodas de conversa, cozinha show, apresentações culturais e shows musicais. Entre os destaques, a apresentação do cantor e rapper Xamã, ampliando o diálogo entre cultura indígena, arte contemporânea e novos públicos.


Para o coordenador de Fomento ao Artesanato da Bahia, Weslen Moreira, o FABI representa um marco histórico. “É o primeiro festival de artesanato realizado neste formato no Brasil, construído coletivamente com os povos e comunidades tradicionais, sediado em Coroa Vermelha, território de forte simbolismo e resistência.”


O FABI é uma iniciativa do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE), com coordenação da Superintendência de Economia Solidária (SESOL) e da Coordenação de Fomento ao Artesanato (CFA), consolidando-se como espaço de encontro, memória viva e valorização das identidades culturais dos povos originários.